Este é o primeiro artigo de 2026 da coluna de imigração, e abrimos o ano com a análise do Relatório Mensal do OBMigra — um dos instrumentos mais usados no Direito de Imigração brasileiro. O relatório é estatístico, mas seus números têm efeito jurídico direto: mostram como o MJSP vem, na prática, analisando pedidos de visto, residência e naturalização.
Reunimos abaixo os principais eixos do relatório de dezembro de 2025, com o que cada dado significa para imigrantes e para quem atua com processos de imigração brasileira.
Por que o Relatório OBMigra importa para quem pretende imigrar em 2026
O Relatório Mensal do OBMigra é produzido pelo Observatório das Migrações Internacionais, projeto de pesquisa da Universidade de Brasília (UnB) em parceria com o Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP). É a principal fonte oficial de dados sobre imigração no Brasil.
O relatório acompanha cinco frentes:
- Entrada e saída de estrangeiros pelas fronteiras.
- Registros de residência no SisMigra.
- Naturalizações concedidas pelo MJSP.
- Autorizações de trabalho e investimento.
- Inserção de imigrantes no mercado formal e fluxos financeiros internacionais.
Para quem vive ou pretende viver no Brasil, esses números antecipam o grau de rigor que o Estado está aplicando, na prática, a cada tipo de pedido — visto, residência, naturalização ou refúgio.
| Eixo | Tendência em dezembro/2025 | Nacionalidades em destaque |
|---|
| Movimentação de fronteira | Recorde histórico: 3,6 milhões de registros no mês | Argentinos, paraguaios, chilenos, uruguaios, estadunidenses |
| Registros de residência | Queda pelo 2º mês consecutivo | Venezuelanos, bolivianos, haitianos |
| Naturalizações | Alta de 16,1% | Haitianos lideram; mulheres maioria entre venezuelanas, cubanas e angolanas |
| Trabalho e investimento | Retração contínua desde outubro | Chineses em primeiro lugar, seguidos por japoneses |
| Mercado formal (CAGED) | Saldo positivo, com leve desaceleração | Venezuelanos, cubanos, argentinos, haitianos |
Fronteiras em alta: recorde de movimentações internacionais
Dezembro de 2025 registrou o maior volume de movimentações internacionais da série histórica do governo: 3,6 milhões de registros só no mês. Argentinos, paraguaios, chilenos, uruguaios e estadunidenses foram as nacionalidades que mais cruzaram as fronteiras brasileiras.
Na prática, isso consolida o Brasil como rota regional dentro do Mercosul e das Américas. O volume afeta diretamente o controle migratório previsto na Lei de Migração (Lei nº 13.445/2017), o turismo, os pedidos de residência temporária e os acordos internacionais de circulação.
Registros de residência: queda nos pedidos e mudança de rota migratória
Pelo segundo mês seguido, caiu o número de novos registros de residência no SisMigra — um sinal de desaceleração nos pedidos de regularização. São Paulo (capital) e Boa Vista (RR) seguem como as cidades mais procuradas para residência.
Um dado chama atenção: Pacaraima (RR) saiu da lista das dez cidades mais procuradas. Isso indica que o fluxo migratório, sobretudo de venezuelanos, está se deslocando para outras regiões do país, e não mais se concentrando na cidade de fronteira. Venezuelanos, bolivianos e haitianos seguem como as nacionalidades com mais registros.
Naturalização: crescimento de 16% e protagonismo das mulheres
As naturalizações cresceram 16,1% em dezembro, confirmando a busca crescente pela cidadania brasileira. Haitianos e haitianas lideram os pedidos; entre venezuelanas, cubanas e angolanas, as mulheres foram maioria.
São Paulo, Paraná e Santa Catarina concentram o maior volume de naturalizações no país. As modalidades ordinária, extraordinária e por casamento cresceram juntas, e também aumentaram os recursos administrativos contra indeferimentos — principalmente nos casos em que o MJSP questiona o tempo de residência, a proficiência em português ou os antecedentes criminais do requerente.
Se o seu pedido de naturalização foi negado por algum desses motivos, veja como funciona o recurso administrativo contra indeferimento no MJSP.
Autorizações de trabalho e investimento: mais rigor na análise
Desde outubro, as autorizações de residência para trabalho e investimento vêm caindo. Em dezembro, nacionais chineses lideraram os pedidos, seguidos por japoneses — a maioria homens em vagas qualificadas.
O MJSP está analisando esses pedidos com mais rigor: avalia com mais cuidado projetos de investimento, vistos para profissionais qualificados e o vínculo empregatício declarado. Na prática, isso exige um dossiê migratório bem montado, contratos formalizados corretamente e documentação societária em ordem antes de protocolar o pedido.
Mercado formal: imigrantes como força de trabalho
O CAGED registrou leve queda na criação de vagas para imigrantes, mas o saldo segue positivo. Venezuelanos (com destaque para mulheres), cubanos, argentinos e haitianos foram os mais empregados, e a Região Sul gerou o maior número de vagas formais para esse público.
Esse dado fortalece pedidos de residência baseados em vínculo empregatício, sustenta processos de naturalização ligados à atividade profissional e ajuda em pedidos de renovação ou conversão de visto.
Remessas internacionais: Brasil no radar financeiro global
O Banco Central registrou saldo de US$ 240 milhões em transferências pessoais em novembro — um dos maiores valores da série histórica. Estados Unidos, Reino Unido e Portugal foram os principais países envolvidos.
Isso reforça o Brasil como destino e origem de migrantes qualificados, e tem efeito direto em três frentes: comprovação de meios de subsistência, concessão de visto por investimento e pedidos de residência baseados em renda própria.
O que esperar para 2026
O Relatório OBMigra de dezembro mostra que o Brasil deixou de ser apenas um país receptor emergencial e passou a ser destino estrutural para projetos de vida migratórios de longo prazo.
Para 2026, o cenário jurídico deve ter mais seletividade administrativa, mais exigência documental e mais indeferimentos por falhas técnicas — o que, por consequência, aumenta a procura por recursos administrativos e ações judiciais. Preencher formulários não basta: o planejamento jurídico migratório passa a incluir análise de perfil, escolha do tipo certo de visto ou residência, preparação prévia para a naturalização e suporte técnico em recursos.
Os dados confirmam o que já se via na prática: imigrar para o Brasil em 2026 é, cada vez mais, uma questão jurídica.
Perguntas frequentes sobre o Relatório OBMigra
O que é o Relatório OBMigra?
É o relatório mensal do Observatório das Migrações Internacionais, produzido pela Universidade de Brasília em parceria com o MJSP, com dados oficiais sobre entrada de estrangeiros, registros de residência, naturalizações e trabalho de imigrantes no Brasil.
Por que as naturalizações cresceram em dezembro de 2025?
O relatório aponta crescimento de 16,1% nas naturalizações em dezembro de 2025, puxado principalmente por haitianos e por mulheres venezuelanas, cubanas e angolanas, refletindo a busca por estabilidade jurídica via cidadania brasileira.
Quais países mais buscam residência no Brasil atualmente?
Segundo o SisMigra, venezuelanos, bolivianos e haitianos lideram os registros de residência, com São Paulo (capital) e Boa Vista (RR) como os destinos mais procurados.
Os dados do OBMigra têm impacto jurídico real?
Sim. Os indicadores refletem como o MJSP está conduzindo, na prática, a análise de pedidos de visto, residência e naturalização, o que ajuda a antecipar o grau de rigor esperado em cada tipo de processo.